quinta-feira, 29 de abril de 2010
[HQ Short ] Dungeons and Dragons em Quadrinhos
Quem curte RPG e quadrinhos, vai gostar de saber desta: a editora IDW Publishing fechou acordo com a Hasbro (detentora de jogos como Monopoly e Jogo da Vida) e com a Wizards of The Coast (editora estadunidense do RPG) para o lançamento, em agosto, de uma HQ baseada no mundo de Dungeons and Dragons.
Para quem não se lembra ou não sabe o que é D&D (o que acho difícil, dado o foco deste blog), lembre-se de Eric, Diana, Presto, Hank, Sheila e Bob, os aventureiros do desenho Caverna do Dragão (Dungeons & Dragons, no original). O desenho da década de 80 era baseado no mundo daquele tipo de RPG. Aqui no Brasil, o desenho acabou fazendo muito mais sucesso que o jogo que originou mundo mágico por onde o grupo de adolescentes perambulava.
Aos fãs da série: não se animem. A nova HQ não tem a ver com a famosa carismática turma juvenil. Está voltada para o ambiente de campanha dos RPGs.
O mais normal, nos casos de RPG, é o lançamento de romances como Vale do Vento Gélido (de Forgotten Realms), Dragões do Crepúsculo de Outono (Dragonlance) ou livros de clã (de storytelling Vampiro), que chegaram a ser editados no Brasil pela Devir. Agora é a vez de as editoras tentarem abocanhar o mercado da 9ª Arte, que está em pleno processo de mudança com as novas tecnologias e a decadência nas venas dos gibis de super-heróis nos EUA.
Ainda não há poisção sobre roteiristas ou desenhistas, mas sabe-se que a revista será mensal e cada número trará as fichas dos personagens para serem utilizadas em jogo. O site da IDWP garante ainda que as histórias serão baseadas nos diferentes mundos que compõem o RPG D&D, incluindo Forgotten Realms. Em janeiro, deve ser lançado um título sobre o cenário Dark Sun.
Agora, me perunto: Será que um dia sai o filme do Caverna do Dragão? ;)
quarta-feira, 28 de abril de 2010
[Short] Opera rock de Alan Moore e "vocalista" do Gorillaz.
Damon Albarn volta e meia tem umas sacadas diferentes.
Vocalista do Blur, fez sucesso com sua banda no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Até que, resolveu eliminar a carne e o osso de uma banda e criou o Gorillaz, uma banda em animação que manteve o segredo da verdadeira voz por trás dos desenhos durante certo tempo. Supostamente, Albarn criou o Gorillaz para criticar a cultura de massa que consumia mais a estética das boy e grils band (Backstreet Boys, Five, Spice Grils, All Saints etc) do que valorizava a música em si.
Agora, o Albarn e Jamie Hewlett, que juntos bolaram a banda virtual, fecharam parceria com seu compatriota Alan Moore e escrever uma opera rock. Alan Moore, para quem não conhece, escreveu nada mais nada menos que Watchmen e V de Vingaça.
Vocalista do Blur, fez sucesso com sua banda no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Até que, resolveu eliminar a carne e o osso de uma banda e criou o Gorillaz, uma banda em animação que manteve o segredo da verdadeira voz por trás dos desenhos durante certo tempo. Supostamente, Albarn criou o Gorillaz para criticar a cultura de massa que consumia mais a estética das boy e grils band (Backstreet Boys, Five, Spice Grils, All Saints etc) do que valorizava a música em si.
Agora, o Albarn e Jamie Hewlett, que juntos bolaram a banda virtual, fecharam parceria com seu compatriota Alan Moore e escrever uma opera rock. Alan Moore, para quem não conhece, escreveu nada mais nada menos que Watchmen e V de Vingaça.
A ópera será baseada em John Dee, suposto amante da rainha Elizabeth I e figura bastante influente na política da época. O tema é bastante específico e talvez se restrinja ao público britânico, mas vindo de uma mente produtiva como a de Albarn e de um roteirista com o peso de Moore, pode-se esperar boa coisa pela frente.
John Dee, conselheiro da rainha Elizabeth na qual a obra será inspirada.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
[Short] Mônica exclusivamente na Globo com novos desenhos.
A TV Globo fechou, na tarde de hoje, acordo com a Mauricio de Sousa Produções para exclusividade na transimissão dos desenhos da Turma da Mônica.
Os desenhos devem estrear em julho, com duração de 15 minutos, dentro do programa TV Globinho. No embalo da Copa, uma animação da Turma do Ronaldinho Gaúcho deve estrear no mesmo mês, produzida por uma equipe italiana. Uma produtora brasileira ficará responsável ainda por Astronauta, Penadinho 3D, Horácio, Jotalhão, Chico Bento e, a maior novidade de todas: o desenho da Turma da Mônca Jovem (o gibi de maior vendagem da franquia no momento, em estilo mangá).
Em 2008, em debate sobre o projeto de lei que estabelece cotas para animação nacional na TV, no programa Ver TV, da TV Câmara, Maurício já havia dito que tinha intenção de aumentar sua produção e exposição dos desenhos animados. Mas, faltava mão-de-obra e dinheiro. Entre outras exemplos de sucesso da Turminha em animação, citou o pedido do governo chinês por mais desenhos do Chico Bento, pedido que ele não conseguiu atender, pois não havia mais episódios prontos.
Com o novo contrato, os desenhos saem do Cartoon para entrarem na TV aberta.
As novidades parecem boas e mostram que a Turminha se renova a cada ano, promovendo a cultura nacional (mesmo que em estilho mangá!) e cativando novas gerações.
Fico na esperança de, um dia, fazerem um desenho do Piteco. Quem sabe? :)
domingo, 25 de abril de 2010
[Literatura - Crítica] Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil
Eis que, via Twitter, tomei conhecimento do livro do jornalista Leandro Narloch, Guia Politicamento Incorreto da História do Brasil. Um belo dia, resolvi sentar-em em uma megastore qualquer para lê-lo e ver do que se tratava.
O livro já atinge as primeiras colocações nas listas de mais vendidos e, como qualquer coisa que exponha "Politicamente Incorreto" no título, a ideia é ser sarcástico, engraçadinho, ao mesmo tempo em que passa dados históricos e tenta corrigir algumas incoerências ensinada nos bancos escolares e tidas como verdades pela maioria da população. Está lá que Zumbi, assim como outros membros do quilombo dos Palmares (e, dentre eles, brancos e índios) tinha escravos e que seu reino não era um molde de democracia; que os próprios índios ajudavam os portugueses a capturar e escravizar outros índios; que a Tríplice Aliança não foi títere da Inglaterra na Guerra do Paraguai nem este país era uma potência aflorada no coração da América do Sul; que Santos Dumont não inventou o relógio de pulso (nem muito menos o avião) entre outros temas de política, cultura e sociedade.
Paranaense, Narloch tira sarro até de si mesmo ao cutucar seu estado. Afinal, a intenção é ser engraçadinho e blindar-se de críticas com o "politicamente incorreto" do título (uma vez que fica fácil apontar essas críticas como hipocrisia do "politicamente correto"). Ok. Até aí, tudo bem.
Mas o capítulo que me chamou a atenção foi sobre o Acre. Como paulista de coração, mas acreano de nascimento, de família acreana e amazonense e neto de seringueiro, conheço bem a história daquelas bandas e interessei-me em ver o que o capítulo falava. Muitas informações corretas estão ali, sobre Galvez, sobre Plácido de Castro e sobre todo o período da Revolução Acreana. Mas não foram as informações que me fizeram torcer o nariz e jogar o livro de lado e decidir não comprá-lo e, sim, quando o texto passou de instrutivo a editorial, de didático a apenas sarcástico. Exemplificando: por várias vezes, Narloch conta que não só o Brasil não quis invadir o Acre como afirma que não queria a região de jeito nenhum, que ninguém queria aquele pedaço de terra. De fato, o Brasil rejeitou o quanto pôde o território, visto que não era seu e o governo não queria se envolver com outra guerra com seus vizinhos, ainda mais quando pleiteva outros territórios frente à Europa como partes da Guiana Holandesa (atual Suriname), da Guiana Francesa, da Inglesa (atual Guiana) e mesmo do Peru. Somente quando a situação já estava insustentável, com os acreanos (que, à época, eram, na maioria, nordestinos) se virando sozinhos, apenas com o apoio do governo do Amazonas (que era o mais interessado na questão) que o Barão do Rio Branco (que batiza a capital) entrou em cena e fechou o Tratado de Petrópolis.
Mais adiante, ao fim do capítulo, Narloch retoma a frase de Evo Morales, que usou para abrir o capítulo. O presidente boliviano afirmou, no momento em que este assumiu a presidência pela primeira vez, que o Acre havia sido trocado com o Brasil por um cavalo. Segundo Narloch, o Acre vale mais que um cavalo e, citando a cifra (que agora não vou me recordar), diz quanto o estado custa aos cofres nacionais e afirma que, com esse dinheiro, seria possível construir mais quilômetros de linha de metrô em São Paulo. Claro, porque não? Vamos lotear estados do Brasil pra desenvolver um estado já desenvolvido? Pra que partilha do pré-sal, né? Dê tudo logo para Rio e São Paulo e pronto. E o desenvolvimento da União?
Para um livro que se propõe a olhar pela óptica dos vencidos (já que os mitos históricos são criados por quem vence), houve uma bela derrapada em alguns parágrafos. O papel da História (bem como do Jornalismo, diga-se de passagem), é fornecer informações para que cada um desenvolva seu senso crítico. Com um ou outro comentário editorial (infelizmente, mas uma linha ou duas, apenas), 1808, de Laurentino Gomes, faz isso muito bem com a família real. Demolir a construção de mitos no processo faz parte do andamento da Teoria da História. Mas, passou disso, não se afirme "histórico".
Detalhe: o livro não despertou interesse de editoras brasileiras e foi publicado por uma editora portuguesa, com filial no Brasil.
Em tempo, a esposa de um primo meu, que é boliviana, contou-me que, nas escolas de lá, aprende-se que todos os países vizinhos tiraram um pedaço da Bolívia. O que, de certa forma, é verdade. Mas, não posso deixar de citar que a Bolívia era um pedaço do Vice-Reino (e depois da República) do Prata até que Bolívar aceitou dividir e dar autonomia à região do Alto Peru (atual Bolívia).
[Literatura Short] El Capitán Alatriste
A Devir está lançando no Brasil um jogo de tabuleiro chamado Capitão Alatriste.
Quem? Triste?
Pois é, também nunca tinha ouvido falar desse Capitão, até ver o material e ir atrás de sua história.
Las Aventuras del Capitán Alatriste são uma série de romances aventurescos de época escritos pelo jornalista espanhol Arturo Pérez-Reverte e que narram a história do personagem título. Diego Alatriste y Tenorio é um herói de capa-e-espada, veterno da guerra de Independência da Holanda. Para quem não lembra das aulas de História, a Holanda foi uma colônia espanhola até 1648 e, após a Independência, invadiu o Brasil (que estava sob o domínio espanhol devido à União Ibérica) em represália a Coroa da Espanha.
Voltando ao protagonista, Alatriste era um mero soldado quando ganhou, mesmo que não oficialmente, o título de Capitão por ter salvado toda uma tropa de espanhóis que combatia os holandeses separatistas. De volta à Espanha, o protagonista se envolve com a corte de Felipe IV, com touradas, duelos, autos de fé e intrigas palacianas. Quem narra a história é seu escudeiro Íñigo Balboa.
O jogo de tabuleiro, estilo Banco Imobiliário, vai levando os jogadores por essas aventuras até que um consiga, por meio da compra de influência, levar seu peão a fazer contato com o emissário de el-Rei e, assim, entrar para o Corte.
Essas aventuras, em meio a cabarés e bebedeiras do Capitão, podem ser conferidas no livro O Capitão Alatriste, que a Companhia das Letras por aqui em 2006. Infelizmente, somente o 1º volume foi traduzido para o português. Quem quiser acompanhar as aventuras seguintes, terá que ler no original importado.
Pérez-Reverte resolveu escrever o livro após ver que todo um período da História espanhola havia sido reduzido a uma página do livro escolar de seu filho. Depois de muita pesquisa e criatividade, nasceram as aventuras do Capitão. O resultado foi um grande sucesso lá na Europa que rendeu, além do jogo de tabuleiro, um outro de RPG e um filme, lançado em 2006, com Viggo Mortensen (o Aragorn, de O Senhor dos Anéis) no papel de Alatriste.
Essa parece ser mais uma das coisas interessantes que, infelizmente, apesar do mundo globalizado, ficam restritas a um mercado. Mas graças à Devir e à Companhia das Letras, podemos ter acesso a uma parte desse material.
sábado, 24 de abril de 2010
[Mangá Short] Otomen/Otomental
A Panini vai lançar em dois volumes a série Otomental, de Mayumi Yokoyama.
Não confundir com Otomen, série que está em andamento também pela Panini.
Tanto Otomen quanto Otomental são trocadilhos bilíngües com a palavra japonesa otome, que significa garota ingênua bobinha.
No caso de Otomen - Um Doce de Garoto, a aglutinação de otome + men dá o tema do mangá: um menino hétero criado sob características historicamente associadas à masculinidade, mas que, mesmo assim, gosta de coisas delicadas como bordar e cozinhar. Isso lhe causa problemas com sua mãe e com a garota por quem se apaixona (epecialmente quando um rival aparece). Otome, Ranma 1/2 e Colégio Ouran Host Club introduzem por aqui, ainda que de forma incipiente, um tema (nos mais variados temas dos mangás publicados no Japão) recorrente por lá: o gender bending, que trata de meninos assumindo posturas "femininas" e vice-versa.
Como toda série que faz algum sucesso, Otomen chegou a virar novela (dorama) por lá.
Já Otomental - A Obsessão de Otome brinca com a palavra no sentido de a protagonista ser ingênua e delicada. O história gira em torno dos mesmos temas abordados por Mayumi Yokoyama em Galism (também Panini): namoros juvenis, escola, delinqüência. Conta a história de Otome Inazuma e sua nova vida em um novo colégio. Inocente, inicia sua busca pelo primeiro amor e pelo primeiro beijo acba encontrando Toyo, suposto "príncipe no cavalo branco", mas que se revela maniupulador e mesquinho. O melhor amigo de Otome é Tokio que tem o objetivo de quê? Formar uma gangue no colégio (Galism!). Quem gosta dos shojos da Mayumi vai curtir.
[HQ Short] Marvels
Com o lançamento este mês de Marvels II (Marvels - Por trás da Câmera, na verdade), a Panini aproveitou o bote pra relançar o relançamento. Marvels - Edição especial de 10 anos, encadernado contendo os dois voulmes originais e lançado em 2005 vai ser novamente vendido.
A premiada edição original (3 prêmios Eisner), de Kurt Busiek e Alex Ross, foi lançada originalmente em 94 nos EUA. No Brasil, chegou em 95 ainda pela Abril. Lembro que achei caro na época, mas a arte e a capa de acetato chamaram muita a minha atenção. Mesmo assim, a falta de grana me impediu de comprar.
Acho sempre legal quando relançam coisas assim pois os fãs (e acredito que somente os fãs mesmo) podem ter a chance de comprar o que perderam.
Para Marvels - Por trás da câmera, o roteirista Kurt Busiek conta com o traço de Jay Anacleto e a história ainda é contada sob o ponto de vista do fotojornalista Phil Sheldon, que agora está aposentado.
Finalmente lançada no Brasil, a Panini comprimiu os volumes estadunidenses e colocou o aracnídeo na capa (afinal, até o lançamento do filme do Homem de Ferro II, ele ainda vende).
Por fim, a Liga HQ está com uma promoção do Marvels original que vale a pena.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
[Evento] Lançamento Entre Quadros (SP)
Depois de Os Passarinhos (muito boa, por sinal. em breve, resenha!), de Estevão Ribeiro, a Balão Editorial (@balaoeditorial) lança em São Paulo, nesta sexta-feira, sua segunda publicação: Entre Quadros, A Walk on the Wild Side, de Mário César.
O autor já colaborou com o site Universo HQ e já trabalhou na editora Via Lettera. Entre seus trabalhos, está a coletânea de vários artistas Front, da própria Via.
A HQ tem 36 páginas coloridas no formato 14cm x21cm e o preço sugerido é de 8,00 pila.
Abaixo um teaser do álbum:
Quando: Dia 23 de abril - A partir das 19:30h
Onde: Livraria HQ Mix - Praça Roosevelt, 142- Centro - São Paulo - SP
O autor já colaborou com o site Universo HQ e já trabalhou na editora Via Lettera. Entre seus trabalhos, está a coletânea de vários artistas Front, da própria Via.
A HQ tem 36 páginas coloridas no formato 14cm x21cm e o preço sugerido é de 8,00 pila.
Abaixo um teaser do álbum:
Quando: Dia 23 de abril - A partir das 19:30h
Onde: Livraria HQ Mix - Praça Roosevelt, 142- Centro - São Paulo - SP
[Mangá short] Mônica no país das Maravilhas
É Alice pra todo canto.
Com o filme de Tim Burton em cartaz (que não conta a história do livro, mas sim um retorno da menina de cabelos louros ao país da Rainha de Copas) vários lançamentos estão envolvendo o tema pelo país. De exposições de arte (Alice inspira exposição de pop art em galeria paulistana) a acessórios de moda (Contos de fada no seu pingente - Pra se pintar que nem a Rainha de Copas!) tudo leva a marca de Lewis Carrol (o que é cair no domínio público, não?)
E é claro, os quadrinhos também entram na tendência do mercado. Depois do lançamento da versão em mangá de Alice no País das Maravilhas, pela New Pop, é a vez da Turma da Mônica (Jovem, é claro) lançar sua versão em duas partes. Neste mês, a edição conta uma história envolvendo o aniversário da Mônica e as aventuras em torno do conto de Alice. Em duas partes, a história mostra que a Turma da Mônica está sempre antenada com o que está acontecendo e vai se mantendo atual para as novas gerações.
Com o filme de Tim Burton em cartaz (que não conta a história do livro, mas sim um retorno da menina de cabelos louros ao país da Rainha de Copas) vários lançamentos estão envolvendo o tema pelo país. De exposições de arte (Alice inspira exposição de pop art em galeria paulistana) a acessórios de moda (Contos de fada no seu pingente - Pra se pintar que nem a Rainha de Copas!) tudo leva a marca de Lewis Carrol (o que é cair no domínio público, não?)
E é claro, os quadrinhos também entram na tendência do mercado. Depois do lançamento da versão em mangá de Alice no País das Maravilhas, pela New Pop, é a vez da Turma da Mônica (Jovem, é claro) lançar sua versão em duas partes. Neste mês, a edição conta uma história envolvendo o aniversário da Mônica e as aventuras em torno do conto de Alice. Em duas partes, a história mostra que a Turma da Mônica está sempre antenada com o que está acontecendo e vai se mantendo atual para as novas gerações.
O mangá da New Pop
[Crítica] Fractal
Sinopse: Thriller policial ambientado na cidade de São Paulo sobre a investigação de misteriosos desaparecimentos, teorias absurdas e romance.*
Os quadrinhos nacionais têm ganhado cada vez mais espaço nas bancas e livrarias do país e, com a qualidade de textos e desenhos, têm angariado público fiel que anseia por histórias mais próximas de nossa realidade. Essas histórias precisam ser boas para fazer valer o alto custo que ainda se paga por elas, uma vez que a produção no Brasil ainda é cara, justamente por ser escassa, se comparada aos mercados norte-americano e europeu.
O mérito de Marcela Godoy em Fractal é o de construir uma história em que tema e cenário se encaixam muito bem: crimes em São Paulo. No álbum, conhecemos o investigador Liel Lorca, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) do estado de São Paulo, e sua rotina de trabalho na investigação criminal. Quando Pomcas, do departamento anti-seqüestros, convoca-o para tentar solucionar o misterioso desaparecimento de seis rapazes, Liel se aprofunda na investigação e envereda por teorias à la Dan Brown para explicar o caso. Enquanto isso, o próprio criminoso joga com a polícia, enviando correspondência incriminatória à delegacia.
Para escrever o roteiro, Marcela passou por um laboratório de 4 meses no DHPP, acompanhando a rotina da delegacia e conhecendo os locais de crime, o que rendeu um apurado senso de realismo à história.
A arte em preto-e-branco de Ferigato acentua a crueza do tema, mas também familiariza o leitor por meio de panorâmicas da avenida Paulista e de carros da polícia com o símbolo do estado de São Paulo.
Feita com intensa pesquisa e contendo muitos subtextos, da capa à última página, Fractal foi pensada para o leitor veterano de quadrinhos, que entende a linguagem e encara narrativa e arte com outros olhos. Nada que tire o interesse do leitor leigo que gosta do gênero policial. Entre outras curiosidades do roteiro, os nomes dos personagens Liel Lorca e Pomcas são formados por anagramas dos artistas Cariello (Octavio Cariello, artista de The Queen of the Damned e trabalhos para Marvel e DC Comics) e Campos (Marcelo Campos, um dos pioneiros a desenhar para o mercado norte-americano de super-heróis), ambos da Quanta Academia de Artes.
O ponto negativo fica por conta do descompasso entre a sinopse da quarta capa e o que de fato se desenrola no álbum. O leitor desavisado e de estômago fraco pode sentir mal-estar ao se deparar com uma história de temática mais forte do que pretendia ler. Como o próprio Liel Lorca diz em dado momento, “Tem crimes que pegam no estômago”.
Os quadrinhos nacionais têm ganhado cada vez mais espaço nas bancas e livrarias do país e, com a qualidade de textos e desenhos, têm angariado público fiel que anseia por histórias mais próximas de nossa realidade. Essas histórias precisam ser boas para fazer valer o alto custo que ainda se paga por elas, uma vez que a produção no Brasil ainda é cara, justamente por ser escassa, se comparada aos mercados norte-americano e europeu.
O mérito de Marcela Godoy em Fractal é o de construir uma história em que tema e cenário se encaixam muito bem: crimes em São Paulo. No álbum, conhecemos o investigador Liel Lorca, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) do estado de São Paulo, e sua rotina de trabalho na investigação criminal. Quando Pomcas, do departamento anti-seqüestros, convoca-o para tentar solucionar o misterioso desaparecimento de seis rapazes, Liel se aprofunda na investigação e envereda por teorias à la Dan Brown para explicar o caso. Enquanto isso, o próprio criminoso joga com a polícia, enviando correspondência incriminatória à delegacia.
Para escrever o roteiro, Marcela passou por um laboratório de 4 meses no DHPP, acompanhando a rotina da delegacia e conhecendo os locais de crime, o que rendeu um apurado senso de realismo à história.
A arte em preto-e-branco de Ferigato acentua a crueza do tema, mas também familiariza o leitor por meio de panorâmicas da avenida Paulista e de carros da polícia com o símbolo do estado de São Paulo.
Feita com intensa pesquisa e contendo muitos subtextos, da capa à última página, Fractal foi pensada para o leitor veterano de quadrinhos, que entende a linguagem e encara narrativa e arte com outros olhos. Nada que tire o interesse do leitor leigo que gosta do gênero policial. Entre outras curiosidades do roteiro, os nomes dos personagens Liel Lorca e Pomcas são formados por anagramas dos artistas Cariello (Octavio Cariello, artista de The Queen of the Damned e trabalhos para Marvel e DC Comics) e Campos (Marcelo Campos, um dos pioneiros a desenhar para o mercado norte-americano de super-heróis), ambos da Quanta Academia de Artes.
O ponto negativo fica por conta do descompasso entre a sinopse da quarta capa e o que de fato se desenrola no álbum. O leitor desavisado e de estômago fraco pode sentir mal-estar ao se deparar com uma história de temática mais forte do que pretendia ler. Como o próprio Liel Lorca diz em dado momento, “Tem crimes que pegam no estômago”.
[Crítica] O Médico e o Monstro.
Sinopse: O advogado Gabriel começa a investigar Edward Hyde, amigo do renomado médico Dr. Jekyll.
Num momento em que os vampiros ocupam uma prateleira de destaque nas livrarias e ganham filmes e seriados de TV, vale a pena, para quem gosta do gênero, enveredar-se pelos cânones do suspense e do horror, como por exemplo, o breve livro (se comparado a outros clássicos como Frankenstein e Drácula) de Robert Louis Stevenson.
O Médico e o Monstro (The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1886) tornou célebre a ideia dos mistérios da alma humana suprimidos pelo convívio em sociedade e já foi adaptado inúmeras vezes em diferentes mídias, incluindo até uma hilária versão em HQ com o Pateta (Pateta é Dr. Jekyll, formato americano, publicada no Brasil em 1990).
Na obra de Stevenson, o leitor é levado pela história do bem-sucedido médico londrino Dr. Henry Jekyll sob o ponto de vista de seu amigo próximo, o advogado Gabriel John Utterson. O estranho e súbito relacionamento do doutor com o misterioso Mr. Edward Hyde levanta suspeitas na cabeça de Mr. Utterson. Intrigado, o advogado começa a seek a bizarra figura de Mr. Hyde. Atarracado, ligeiro e rude, Mr. Hyde transparece em sua fisionomia uma deformidade indizível e uma maldade capaz de provocar mal-estar em quem se aproxima.
O clima sombrio e nebuloso das ruas de Londres, muito bem descrito por Stevenson, faz com que o leitor entre no ar introspectivo e soturno da obra, enquanto vai sendo levado através das dores do Dr. Jekyll.
Vários fatores característicos da rigorosamente conservadora Era Vitoriana, época em que a obra foi escrita, estão presentes no texto. No contexto individualista da sociedade inglesa, Dr. Jekyll remói-se dolorosamente pelos “prazeres vis” que sente vontade de cometer e que se materializam na figura de Mr. Hyde, sua válvula de escape. É o medo que se sente quando se faz algo que não é aceito pelo resto da sociedade. E Deus castiga, pois o cristianismo está presente aqui e ali na obra.
Numa época em que a filosofia se separava das ciências (e estas se subdividiam ainda mais); em que as cidades eram repartidas e configuradas em blocos pelo urbanismo; em que as classes sociais estavam sendo definidas por novas teorias sociais e tudo o mais que podia ser esquadrinhado e separado estava sendo classificado, Dr. Jekyll, como bom médico, segue o raciocínio atomicista da época, insistindo em dividir o amálgama dos sentimentos humanos, muitas vezes controversos. Com Hyde, seu pior lado vem à tona e sua maior preocupação passa a ser manter incólume sua boa imagem frente à sociedade.
Sem o precedente psicológico aberto no século seguinte por Sigmund Freud, Dr. Jekyll não consegue compreender que algo por muito tempo reprimido, quando surge, surge com força. O surgimento de Mr. Hyde na vida do doutor não poderia ser mantido sob controle por muito tempo e a incapacidade de aceitar seus próprios defeitos faz com que Jekyll seja tragado para um remorso ainda maior.
O clima sombrio e nebuloso das apertadas ruas de Londres é habilmente descrito por Stevenson, levando o leitor a se aprofundar no ar introspectivo e soturno da obra enquanto vai sendo tragado pelas das dores e questionamentos do Dr. Jekyll.
Num momento em que os vampiros ocupam uma prateleira de destaque nas livrarias e ganham filmes e seriados de TV, vale a pena, para quem gosta do gênero, enveredar-se pelos cânones do suspense e do horror, como por exemplo, o breve livro (se comparado a outros clássicos como Frankenstein e Drácula) de Robert Louis Stevenson.
O Médico e o Monstro (The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1886) tornou célebre a ideia dos mistérios da alma humana suprimidos pelo convívio em sociedade e já foi adaptado inúmeras vezes em diferentes mídias, incluindo até uma hilária versão em HQ com o Pateta (Pateta é Dr. Jekyll, formato americano, publicada no Brasil em 1990).
Na obra de Stevenson, o leitor é levado pela história do bem-sucedido médico londrino Dr. Henry Jekyll sob o ponto de vista de seu amigo próximo, o advogado Gabriel John Utterson. O estranho e súbito relacionamento do doutor com o misterioso Mr. Edward Hyde levanta suspeitas na cabeça de Mr. Utterson. Intrigado, o advogado começa a seek a bizarra figura de Mr. Hyde. Atarracado, ligeiro e rude, Mr. Hyde transparece em sua fisionomia uma deformidade indizível e uma maldade capaz de provocar mal-estar em quem se aproxima.
O clima sombrio e nebuloso das ruas de Londres, muito bem descrito por Stevenson, faz com que o leitor entre no ar introspectivo e soturno da obra, enquanto vai sendo levado através das dores do Dr. Jekyll.
Vários fatores característicos da rigorosamente conservadora Era Vitoriana, época em que a obra foi escrita, estão presentes no texto. No contexto individualista da sociedade inglesa, Dr. Jekyll remói-se dolorosamente pelos “prazeres vis” que sente vontade de cometer e que se materializam na figura de Mr. Hyde, sua válvula de escape. É o medo que se sente quando se faz algo que não é aceito pelo resto da sociedade. E Deus castiga, pois o cristianismo está presente aqui e ali na obra.
Numa época em que a filosofia se separava das ciências (e estas se subdividiam ainda mais); em que as cidades eram repartidas e configuradas em blocos pelo urbanismo; em que as classes sociais estavam sendo definidas por novas teorias sociais e tudo o mais que podia ser esquadrinhado e separado estava sendo classificado, Dr. Jekyll, como bom médico, segue o raciocínio atomicista da época, insistindo em dividir o amálgama dos sentimentos humanos, muitas vezes controversos. Com Hyde, seu pior lado vem à tona e sua maior preocupação passa a ser manter incólume sua boa imagem frente à sociedade.
Sem o precedente psicológico aberto no século seguinte por Sigmund Freud, Dr. Jekyll não consegue compreender que algo por muito tempo reprimido, quando surge, surge com força. O surgimento de Mr. Hyde na vida do doutor não poderia ser mantido sob controle por muito tempo e a incapacidade de aceitar seus próprios defeitos faz com que Jekyll seja tragado para um remorso ainda maior.
O clima sombrio e nebuloso das apertadas ruas de Londres é habilmente descrito por Stevenson, levando o leitor a se aprofundar no ar introspectivo e soturno da obra enquanto vai sendo tragado pelas das dores e questionamentos do Dr. Jekyll.
[Crítica] Os Substitutos
Sinopse: Uma sociedade onde os seres humanos vivem por meio de réplica robóticas melhoradas de si mesmos é abalada com a quebra de um dos robôs e consequente morte do homem que o comanda. Dois agentes do FBI começam a investigar o caso.
A palavra “robô” vem do tcheco robota e significa “trabalho forçado”, que era o que os personagens de uma peça de Karel Čapek faziam de forma mecanizada. Com a criação do termo, na década 1920, não só o mundo da tecnologia ampliou seu vocabulário como a sétima arte aumentou sua paleta de temas. Substitutos é mais um representante deste tipo de cinema de ficção científica.
Com o surgimento da robótica, a Humanidade passou a se preocupar com a sua própria condição e com a vontade deixar claro sua diferença em relação às máquinas, apesar de estarmos acostumados a ver robôs humanóides desempenhando as mais variadas tarefas em desenhos como os Jetsons e em filmes como Blade Runner. Mas isto se restringe à ficção. Na vida real, o Criador, neste caso, não quer se assemelhar a Criatura. Mesmo com nossos corpos sendo cada vez mais alterados pela tecnologia, seja por questões estéticas (cirurgias plásticas), seja por questões de saúde (como prótese de membros), paira sempre a questão do limite entre o natural e o artificial.
Na trilha da transposição das HQs para as telas (vide X-Men, Homem Aranha, Dragonball etc), Substitutos traz para o cinema a história adaptada da graphic novel The Surrogates, de Robert Venditti e Brett Weldele, publicado em cinco volumes pela editora Top Shelf, nos EUA e, no Brasil, pela editora Devir.
Com Jonathan Mostow (Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas) na direção, pode-se contar com muita ação e barulho em cenas de perseguição, tiroteio e destruição. Com Bruce Willis no elenco, pode-se esperar um “filme Bruce Willis de ação” (Duro de Matar, Hudson Hawke, O Quinto Elemento, Sin City...). O fato de tratar de robôs vira os efeitos especiais a favor do filme, tornando a artificialidade dos movimentos dos personagens aceitável, por se tratarem justamente de máquinas.
No mundo de Substitutos, em um futuro não muito distante, as pessoas já não saem mais às ruas. De suas casas comandam remotamente, por meio de impulsos neurais, robôs que executam todas as tarefas para seus donos. Com isso, cortar um dedo, pegar uma gripe ou quebrar o pescoço em um acidente de carro já não impõe mais risco: basta consertar ou comprar um novo “substituto”, uma vez que os danos não são sentidos por quem opera a máquina. Mas, no momento que isso começa acontecer e um ser humano morre em função da destruição de seu “substituto”, o agente Tom Greer (Willis) e sua parceira Jennifer Peters (Radha Mitchell) entram em cena para investigar o caso.
É de se esperar que, em um mundo padronizado desses, haja pessoas que se oponham vigorosamente ao padrão estabelecido e uma sociedade de seres humanos que vivem sem se valer de “substitutos” torna-se suspeita de envolvimento nos crimes.
Assim como em outros filmes, tudo se passa nos EUA, mas sabe-se, por um diálogo ou outro, que o mesmo acontece em escala global.
Os temas abordados podem levar o expectador a ter a impressão de que já viu esse filme. Pessoas vivendo vidas artificiais ao invés de sentirem sensações por si mesmas: o dilema de Matrix. Seres humanos contra máquinas: a guerra de O Exterminador do Futuro. O questionamento a respeito das conseqüências do avanço tecnológico: os “precogs” de Minority Report. A mecanização e a frieza nos relacionamentos: os “mecas” de Inteligência Artificial. Isso para citar os mais recentes.
Mas, num ponto, o filme apresenta algo novo. O debate sobre até onde o ser humano consegue ir sem perder o controle, sem perder a noção de si mesmo, e o temor de que a tecnologia “caia em mãos erradas” (presente nos filmes supracitados) passa da esfera militar, policial, doméstica ou comercial para a esfera da estética de do prazer nas mãos da população comum. Quem não quer ter um corpo bonito, não ter medo de doenças ou de machucados?
Em uma cena do filme o noticiário informa que, graças à “Substituição”, os preconceitos acabaram, levando à diminuição da violência. Boa ironia num mundo onde todos são altos, magros, bonitos e impecavelmente arrumados. Pode-se aceitar que um ricaço playboy tenha relações (ainda que sem ter ciência disso) com uma loira provocante operada por um gordo feioso a partir de sua casa. Desde que tudo fique na aparência. Os corpos biológicos, tristes e normais, devem permanecer trancafiados em casa. Quem usa o próprio corpo ao invés do “substituto” é visto com maus olhos (afinal, quem nunca olhou torto para alguém desleixado?).
Não há como não rir quando Bruce Willis, ou melhor, seu “substituto”, aparece em cena, mais novo (sem poros, como nas capas de revista atuais), engomadinho e de cabelinho (!) arrumadinho.
Uma boa metáfora da questão é o salão de beleza onde trabalha a esposa do agente Greer: não há cortes de cabelo ou maquiagem, mas sim, peles e cabelos sintéticos aderidos à carapaça metálica dos robôs. Tudo normal, como quem aplica botox ou implanta silicone.
Mas é um filme de ação, sem muito tempo para reflexão entre uma destruição e outra. Mas garante a diversão, apesar de o roteiro padecer de suspense, sendo possível antecipar bastante as cenas, inclusive o final.
A palavra “robô” vem do tcheco robota e significa “trabalho forçado”, que era o que os personagens de uma peça de Karel Čapek faziam de forma mecanizada. Com a criação do termo, na década 1920, não só o mundo da tecnologia ampliou seu vocabulário como a sétima arte aumentou sua paleta de temas. Substitutos é mais um representante deste tipo de cinema de ficção científica.
Com o surgimento da robótica, a Humanidade passou a se preocupar com a sua própria condição e com a vontade deixar claro sua diferença em relação às máquinas, apesar de estarmos acostumados a ver robôs humanóides desempenhando as mais variadas tarefas em desenhos como os Jetsons e em filmes como Blade Runner. Mas isto se restringe à ficção. Na vida real, o Criador, neste caso, não quer se assemelhar a Criatura. Mesmo com nossos corpos sendo cada vez mais alterados pela tecnologia, seja por questões estéticas (cirurgias plásticas), seja por questões de saúde (como prótese de membros), paira sempre a questão do limite entre o natural e o artificial.
Na trilha da transposição das HQs para as telas (vide X-Men, Homem Aranha, Dragonball etc), Substitutos traz para o cinema a história adaptada da graphic novel The Surrogates, de Robert Venditti e Brett Weldele, publicado em cinco volumes pela editora Top Shelf, nos EUA e, no Brasil, pela editora Devir.
Com Jonathan Mostow (Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas) na direção, pode-se contar com muita ação e barulho em cenas de perseguição, tiroteio e destruição. Com Bruce Willis no elenco, pode-se esperar um “filme Bruce Willis de ação” (Duro de Matar, Hudson Hawke, O Quinto Elemento, Sin City...). O fato de tratar de robôs vira os efeitos especiais a favor do filme, tornando a artificialidade dos movimentos dos personagens aceitável, por se tratarem justamente de máquinas.
No mundo de Substitutos, em um futuro não muito distante, as pessoas já não saem mais às ruas. De suas casas comandam remotamente, por meio de impulsos neurais, robôs que executam todas as tarefas para seus donos. Com isso, cortar um dedo, pegar uma gripe ou quebrar o pescoço em um acidente de carro já não impõe mais risco: basta consertar ou comprar um novo “substituto”, uma vez que os danos não são sentidos por quem opera a máquina. Mas, no momento que isso começa acontecer e um ser humano morre em função da destruição de seu “substituto”, o agente Tom Greer (Willis) e sua parceira Jennifer Peters (Radha Mitchell) entram em cena para investigar o caso.
É de se esperar que, em um mundo padronizado desses, haja pessoas que se oponham vigorosamente ao padrão estabelecido e uma sociedade de seres humanos que vivem sem se valer de “substitutos” torna-se suspeita de envolvimento nos crimes.
Assim como em outros filmes, tudo se passa nos EUA, mas sabe-se, por um diálogo ou outro, que o mesmo acontece em escala global.
Os temas abordados podem levar o expectador a ter a impressão de que já viu esse filme. Pessoas vivendo vidas artificiais ao invés de sentirem sensações por si mesmas: o dilema de Matrix. Seres humanos contra máquinas: a guerra de O Exterminador do Futuro. O questionamento a respeito das conseqüências do avanço tecnológico: os “precogs” de Minority Report. A mecanização e a frieza nos relacionamentos: os “mecas” de Inteligência Artificial. Isso para citar os mais recentes.
Mas, num ponto, o filme apresenta algo novo. O debate sobre até onde o ser humano consegue ir sem perder o controle, sem perder a noção de si mesmo, e o temor de que a tecnologia “caia em mãos erradas” (presente nos filmes supracitados) passa da esfera militar, policial, doméstica ou comercial para a esfera da estética de do prazer nas mãos da população comum. Quem não quer ter um corpo bonito, não ter medo de doenças ou de machucados?
Em uma cena do filme o noticiário informa que, graças à “Substituição”, os preconceitos acabaram, levando à diminuição da violência. Boa ironia num mundo onde todos são altos, magros, bonitos e impecavelmente arrumados. Pode-se aceitar que um ricaço playboy tenha relações (ainda que sem ter ciência disso) com uma loira provocante operada por um gordo feioso a partir de sua casa. Desde que tudo fique na aparência. Os corpos biológicos, tristes e normais, devem permanecer trancafiados em casa. Quem usa o próprio corpo ao invés do “substituto” é visto com maus olhos (afinal, quem nunca olhou torto para alguém desleixado?).
Não há como não rir quando Bruce Willis, ou melhor, seu “substituto”, aparece em cena, mais novo (sem poros, como nas capas de revista atuais), engomadinho e de cabelinho (!) arrumadinho.
Uma boa metáfora da questão é o salão de beleza onde trabalha a esposa do agente Greer: não há cortes de cabelo ou maquiagem, mas sim, peles e cabelos sintéticos aderidos à carapaça metálica dos robôs. Tudo normal, como quem aplica botox ou implanta silicone.
Mas é um filme de ação, sem muito tempo para reflexão entre uma destruição e outra. Mas garante a diversão, apesar de o roteiro padecer de suspense, sendo possível antecipar bastante as cenas, inclusive o final.
|A HQ publicada pela Devir
[Crítica] Percy Jackson e os Olimpianos - O Ladrão de Raios.
Sinopse: Adaptação do primeiro da série de cinco livros sobre garoto que se descobre filho do deus grego dos mares e das tempestades, Posseidon, e suas aventuras para salvar o mundo.
Um garoto com problemas familiares é retirado de sua casa e levado a um lugar secreto, não conhecido ou sequer visto pela maioria das pessoas comuns. Neste lugar, descobre que é um menino especial, com poderes mágicos que serão úteis para salvar o mundo. Tá, este é o plot de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Mas aqui estamos falando de Percy Jackson e o Ladrão de Raios (Percy Jackson and the Olympians - the Lightining Thief), adaptação de uma outra série de livros para o cinema.
Saem as ruas calmas e os trens de Londres, de Harry Potter, para dar lugar aos cenários frenéticos de Las Vegas, Los Angeles e Nova York, com carros em alta velocidade pelas highways estadunidenses. Saem as culturas céltica, germânica e escandinava, e entra a cálida cultura mediterrânea. Ao invés de um castelo-escola, surge um acampamento-refúgio. No lugar da bruxaria, entram os poderes divinos dos deuses da Mitologia Clássica.
Escrita pelo ex-professor do Ensino Fundamental, Rick Riordan, a história conta as aventuras de um garoto que descobre ser um semideus, filho do deus grego Posseidon (Kevin McKidd) com uma mortal. Portador de dislexia e DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção), Percy Jackson é uma homenagem ao filho de Riordan, que possui essas condições. Enquanto no filme, porém, o garoto tem 17 anos, nos livros, originalmente, Percy tem apenas 12. Essa diferença permitiu ao diretor do longa abordar alguns temas (como dirigir carros), que seriam impossíveis com aquela idade.
A batalha (de ego) entre os deuses gregos sempre foi motivo para inúmeras histórias desde os tempos de Homero, na Antigüidade, até os dias de hoje, passando por Shakespeare e Camões, no Renascimento, e por Cavaleiros do Zodíaco, nos anos 90. Este último angariou inúmeros fãs adolescentes, assim como os livros Riordan lograram nos anos 2000.
O conflito divino, aqui, se dá quando o raio, a arma mais poderosa de Zeus (Sean Bean), desaparece e Percy Jackson (Logan Lerman) é acusado de tê-lo roubado, em favor de seu pai. Para complicar ainda mais as coisas, Hades, o deus do mundo dos mortos, rapta a mãe do garoto e exige o tal raio como resgate. Com a ira divina em sua cola, o garoto conhece sua origem celestial e vai parar em um acampamento no meio da floresta, onde outros descendentes de seres míticos treinam tácticas de combate. Lá, recebe a ajuda de Quirão (Pierce Brosnan) – o mesmo centauro mentor de Héracles (ou Hércules, para os romanos) –, da filha de Atena (Alexandra Daddario) e do filho de um sátiro (Brandon T. Jackson) para salvar sua mãe e recuperar o raio.
Monstros e outros entes mitológicos surgem na tela, colocando-se no caminho do herói e gerando boas seqüências de ação, como o ataque do Minotauro. Uma pitada de cultura pop, não presente em Harry Potter, aparece da trilha sonora à indumentária de Hades, do videogame ao All Star voador usado pelo deus Hermes. Há até referência aos males das drogas, quando o trio de heróis vai a um cassino em Las Vegas.
Os problemas de se adaptar um livro de 400 páginas para um longa de quase duas horas surgem, e os fãs da série podem torcer o nariz para a diferença de idade do protagonista, a ausência do deus Ares e o fato de Percy desenvolver seus poderes muito rapidamente, movendo facilmente colunas de águas que, duas semanas atrás, não sabia que conseguia mover. Mas a história prende a atenção, graças à mão do diretor Chris Columbus (o mesmo de Harry Potter e a Pedra Filosofal, e a Câmara Secreta).
Algumas incongruências mitológicas, no entanto, irritam um pouco mais. Perséfone (Rosario Dawson, de Alexandre e Sin City), por exemplo, não é negra e nem está morta. Os negros, na Grécia Antiga eram considerados estrangeiros (metecos) e Perséfone permanece viva no Hades, tendo direito a sair por seis meses do mundo dos mortos para visitar sua mãe, o que origina a primavera e o verão. Medusa, ao contrário, foi morta há séculos, decapitada por Perseu. Mas Uma Thurman está excelente no papel do monstro, numa versão modernosa e estilosa da górgona, cheia de empáfia.
Uma Thurman, a medusa de couro e turbante, pronta para matar.
Uma das respresentações clássicas de Perséfone (ou Proserpina, para os romanos) e Rosario Dawson como a Senhora das Estações.
A explicação para o nome da capital grega também está errada. O povo não aclamou Atena como sua patrona, como o filme afirma. Ela e Posseidon competiram pelo patronato da pólis até que os deuses decidiram pela vitória da deusa da sabedoria.
O maniqueísmo, conceito não presente na Mitologia Grega, acentua as divergências, separando os deuses entre o Bem e o Mal. Talvez este seja o maior problema de um filme que trata de deuses com índole humana (e, portanto, imperfeitos), como são os gregos. A mentalidade cristã também se faz presente, associando o deus Hades à figura do Demônio, e transformando sua morada num verdadeiro Inferno (algo, que na realidade mitológica, estaria mais para o Tártaro).
Pelo menos a mitologia de Riordan é toda grega, valendo-se dos nomes e dos conceitos gregos, não romanos, como, muitas vezes, acontece com obras modernas.
Estas questões, porém, não atrapalham a diversão da garotada e tornam-se irrelevantes frente ao estímulo dado à cultura Clássica. É o maior mérito de Percy Jackson: tirar a rica mitologia dos livros de História e trazê-los à vida, à ação, mantendo o interesse das novas gerações pelo tema.
[Crítica] Do Começo ao fim
Sinopse: História de amor entre Francisco e Thomás, dois meio-irmãos homossexuais.
Quando o teaser de Do Começo ao Fim foi lançado no primeiro semestre deste ano, causou espanto e prometia polêmica. A história de amor entre dois meio-irmãos parecia não ser apropriada para entrar em circuito comercial, chocando o público ao tratar de dois temas complicados: homossexualidade e incesto. Não que estes temas sejam novidade na literatura ou no cinema mundiais. Mas em se tratando de cinema nacional...
A história gira em torno de Francisco (João Gabriel Vasconcellos) e Tom Tom (Rafael Cardoso, minissérie Cinquentinha), dois irmãos, de pais diferentes, que desde cedo começam a demonstrar interesse um pelo outro, culminando com uma paixão ardente na idade adulta. Tudo levado de maneira muito sutil. Sutil até demais, chegando a quase eliminar o conflito no filme. Um dos poucos momentos de confrontação se dá quando o pai de Francisco questiona a mãe sobre as atitudes do filho. Na maior parte do tempo, tem-se a sensação de que a história se passa em um mundo paralelo onde os dois rapazes são os únicos gays do planeta e seu relacionamento é aceitável (desde que não mencionado em voz alta).
A direção e o roteiro são fracos, com cenas de câmera lenta desnecessárias e diálogos compreensivos demais para uma mãe do início dos anos 90 e que transformam Júlia Lemmertz quase em uma Virgem Maria, compassiva e protetora. A pretensa precocidade dos garotos, outro ponto de choque, algumas vezes nada mais é do que o comportamento natural da idade como cócegas e falar a palavra “pinto”.
A história poderia ser atemporal, mas um comentário sobre o governo Collor a insere na linha do tempo, causando outro tropeço, a caracterização de época. O figurino não condiz com a data e, em uma cena Tom Tom, ainda criança, chega a usar uma camisa da WWF em plenos anos 90!
Excluindo essas questões, Do Começo ao Fim, assim como Brokeback Mountain (de Ang Lee, 2005) tem dois públicos distintos: o hétero e o homossexual. Para o público hétero já há certa resistência em engolir a simples possibilidade de amor entre dois homens. Ainda mais sendo homens bonitos, atléticos, ricos, inteligentes, bem sucedidos e nada efeminados (em nada se encaixando no estereótipo de programas como Zorra Total e A Praça é Nossa ou de piadinhas do CQC). O fato de os dois serem irmãos torna o filme ainda mais repelente.
Por outro lado, excetuando a questão do incesto, estes mesmos atributos dos protagonistas vão de encontro ao modo como o gay atual se vê (ou faz questão de querer se ver), atingindo em cheio o interesse do público homossexual. Este mesmo público, devido às especificidades do relacionamento entre dois homens, exige cenas amor diferentes. E nisto reside o mérito do filme ao encher uma sala de cinema com um público que quer ver cenas apaixonadas mais quentes do que um romance correlato heterossexual (incluindo uma ótima cena de falta de jeito com mulheres pelo personagem Francisco) ou cenas e intimidade que só poderiam ser protagonizadas por dois homens, como o momento de carinho enquanto Tom Tom faz a barba.
Dito isto, dependendo da orientação sexual, o expectador já sabe se quer ou não ver o filme.
O teaser que gerou polêmica. Boa estratégia de marketing.
Reunindo atores famosos como Júlia Lemmertz (interpretando a mãe) e Fábio Assunção (interpretando o pai de um dos garotos) e personagens com um padrão de vida elevado, o filme tenta, de maneira leve, fazer o que novelas da Globo ainda não conseguiram: mostrar homossexuais de forma sóbria e inseridos na sociedade.A história gira em torno de Francisco (João Gabriel Vasconcellos) e Tom Tom (Rafael Cardoso, minissérie Cinquentinha), dois irmãos, de pais diferentes, que desde cedo começam a demonstrar interesse um pelo outro, culminando com uma paixão ardente na idade adulta. Tudo levado de maneira muito sutil. Sutil até demais, chegando a quase eliminar o conflito no filme. Um dos poucos momentos de confrontação se dá quando o pai de Francisco questiona a mãe sobre as atitudes do filho. Na maior parte do tempo, tem-se a sensação de que a história se passa em um mundo paralelo onde os dois rapazes são os únicos gays do planeta e seu relacionamento é aceitável (desde que não mencionado em voz alta).
A direção e o roteiro são fracos, com cenas de câmera lenta desnecessárias e diálogos compreensivos demais para uma mãe do início dos anos 90 e que transformam Júlia Lemmertz quase em uma Virgem Maria, compassiva e protetora. A pretensa precocidade dos garotos, outro ponto de choque, algumas vezes nada mais é do que o comportamento natural da idade como cócegas e falar a palavra “pinto”.
A história poderia ser atemporal, mas um comentário sobre o governo Collor a insere na linha do tempo, causando outro tropeço, a caracterização de época. O figurino não condiz com a data e, em uma cena Tom Tom, ainda criança, chega a usar uma camisa da WWF em plenos anos 90!
Excluindo essas questões, Do Começo ao Fim, assim como Brokeback Mountain (de Ang Lee, 2005) tem dois públicos distintos: o hétero e o homossexual. Para o público hétero já há certa resistência em engolir a simples possibilidade de amor entre dois homens. Ainda mais sendo homens bonitos, atléticos, ricos, inteligentes, bem sucedidos e nada efeminados (em nada se encaixando no estereótipo de programas como Zorra Total e A Praça é Nossa ou de piadinhas do CQC). O fato de os dois serem irmãos torna o filme ainda mais repelente.
Por outro lado, excetuando a questão do incesto, estes mesmos atributos dos protagonistas vão de encontro ao modo como o gay atual se vê (ou faz questão de querer se ver), atingindo em cheio o interesse do público homossexual. Este mesmo público, devido às especificidades do relacionamento entre dois homens, exige cenas amor diferentes. E nisto reside o mérito do filme ao encher uma sala de cinema com um público que quer ver cenas apaixonadas mais quentes do que um romance correlato heterossexual (incluindo uma ótima cena de falta de jeito com mulheres pelo personagem Francisco) ou cenas e intimidade que só poderiam ser protagonizadas por dois homens, como o momento de carinho enquanto Tom Tom faz a barba.
Dito isto, dependendo da orientação sexual, o expectador já sabe se quer ou não ver o filme.
Cena de intimidade fora do convencional pela manhã: a hora de barbear.
Julia Lemmertz e os filhos. O arquétipo da compreensão.
Quadrinhos, mangá, literatura, cinema e otras cositas más.
O Short Cults é baseado em pequenas notas de eventos culturais, principalmente de quadrinhos e mangás.
Eventualmente, algo sobre literatura, cinema ou até música podem aparecer por aqui por meio de notas rápidas e fáceis de ler.
A intenção é passar a informação de forma curta e acessível.
O que não impede que resenhas maiores, reviews e matérias cults possam ser postadas a quem interessar possa.
É isso! Acesse e tome seu drops de cultura.
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