Sinopse: Thriller policial ambientado na cidade de São Paulo sobre a investigação de misteriosos desaparecimentos, teorias absurdas e romance.*
Os quadrinhos nacionais têm ganhado cada vez mais espaço nas bancas e livrarias do país e, com a qualidade de textos e desenhos, têm angariado público fiel que anseia por histórias mais próximas de nossa realidade. Essas histórias precisam ser boas para fazer valer o alto custo que ainda se paga por elas, uma vez que a produção no Brasil ainda é cara, justamente por ser escassa, se comparada aos mercados norte-americano e europeu.
O mérito de Marcela Godoy em Fractal é o de construir uma história em que tema e cenário se encaixam muito bem: crimes em São Paulo. No álbum, conhecemos o investigador Liel Lorca, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) do estado de São Paulo, e sua rotina de trabalho na investigação criminal. Quando Pomcas, do departamento anti-seqüestros, convoca-o para tentar solucionar o misterioso desaparecimento de seis rapazes, Liel se aprofunda na investigação e envereda por teorias à la Dan Brown para explicar o caso. Enquanto isso, o próprio criminoso joga com a polícia, enviando correspondência incriminatória à delegacia.
Para escrever o roteiro, Marcela passou por um laboratório de 4 meses no DHPP, acompanhando a rotina da delegacia e conhecendo os locais de crime, o que rendeu um apurado senso de realismo à história.
A arte em preto-e-branco de Ferigato acentua a crueza do tema, mas também familiariza o leitor por meio de panorâmicas da avenida Paulista e de carros da polícia com o símbolo do estado de São Paulo.
Feita com intensa pesquisa e contendo muitos subtextos, da capa à última página, Fractal foi pensada para o leitor veterano de quadrinhos, que entende a linguagem e encara narrativa e arte com outros olhos. Nada que tire o interesse do leitor leigo que gosta do gênero policial. Entre outras curiosidades do roteiro, os nomes dos personagens Liel Lorca e Pomcas são formados por anagramas dos artistas Cariello (Octavio Cariello, artista de The Queen of the Damned e trabalhos para Marvel e DC Comics) e Campos (Marcelo Campos, um dos pioneiros a desenhar para o mercado norte-americano de super-heróis), ambos da Quanta Academia de Artes.
O ponto negativo fica por conta do descompasso entre a sinopse da quarta capa e o que de fato se desenrola no álbum. O leitor desavisado e de estômago fraco pode sentir mal-estar ao se deparar com uma história de temática mais forte do que pretendia ler. Como o próprio Liel Lorca diz em dado momento, “Tem crimes que pegam no estômago”.
Fractal
Brasil/2009
Editora: Devir
Roteiro: Marcela Godoy - Desenhos: Eduardo Ferigato
Editora: Devir
64 páginas
* Escrito por quem teve aula de Roteiro com a autora.

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